“Trabalhe como se não precisasse de dinheiro
Ame como se nunca tivesse sido magoado
Dance como se ninguém estivesse olhando”
O trabalho visto como satisfação e preenchimento na vida, é a nossa resposta ao fato de estarmos vivos, uma maneira inteligente de empregar toda a nossa energia. No trabalho estamos constantemente nos desafiando, buscando novas dimensões para uma outra visão de mundo. O trabalho é transformador, não só em razão do que resulta da ação em si, mas também em função do que provoca em nossa mente: sentido de utilidade, de contribuir para a melhoria das pessoas e das coisas. Quando o trabalho é gratificante, ele revitaliza ecologicamente, a nós e aos que nos rodeiam. É claro que nesse modelo não se encaixa trabalho sem significado, sem prazer ou sem objetivo. Trabalhar, além de consumir de maneira natural a energia, torna possível fazer uso de todas as nossas habilidades. Nós gostamos do jogo, apreciamos nos desafiar, testar as nossas competências, nos comparar com as outras pessoas.
O trabalho pode e quase sempre é, exigente e absorvente, exigindo dedicação concentrada exclusivamente naquilo que estou me propondo a fazer. Ele necessita de uma ação conjunta e coordenada entre mente e corpo. Penso que não deveríamos separar com tanta ênfase trabalho braçal e trabalho intelectual. O trabalho, somente intelectual ou somente braçal, no conceito restrito e diminuído de suas etimologias, pode ficar desgastante e pobre. Essa situação se altera quando, ampliamos o conceito de trabalho, onde o “estar” braçal ou “estar” intelectual, é apenas uma etapa, ficando o ato de trabalhar inserido em um processo mais amplo, onde tudo se inter-relaciona. Assim, o gesto do trabalhador da terra, por exemplo, pode ter uma dimensão maior, quando ele passa a ver no que faz, o bem-estar da família ou a garantia de um futuro mais tranqüilo para todos os seus. Existe aí uma contribuição, mental e intelectual, que atribui um novo significado ao ato de trabalhar.
Mas trabalhar passa a ter, de fato, sentido quando tudo que se fizer, estiver inserido em um propósito. Com o propósito muito claro em mente, irá ocorrer uma seleção natural em todas as ações empreendidas: só iremos agir quando a ação contribuir para a realização da missão pessoal. É claro que tudo que vier a empreender, o será com muito mais motivação e prazer. Deixa-se de estar sempre a reboque das tarefas, antecipando-se à sua realização.
Trabalhar pode tornar-se uma fonte inesgotável, ora de grandes ora de pequenos momentos, que irão dar mais sentido a vida e, através dele vai-se compondo a própria história.
Relacionar-se é muito mais do que expressar-se bem, ter aptidões políticas ou ser agradável às pessoas.
Um dos fundamentos para se construir um relacionamento está na compreensão das pessoas. E para compreender bem alguém, preciso antes ouvi-lo bem. Ouvir atentamente é antes de tudo uma demonstração de solidariedade com os sentimentos do outro. Compreender, é mais do que entender o sentido das palavras ditas, é interpretar as intenções e as motivações, assimilar o estilo, interpretar o “não dito”. Quando isto acontece, aí sim eu passo a ser percebido, destacado e admirado.
Mas relacionamento exige também a habilidade da expressão clara, uma condição indispensável para me fazer compreendido. Só dizer o essencial, de maneira clara e objetiva, com detalhes suficientes para que a mensagem passe em sua integridade. Isto implica em ter que repetir, às vezes, para que não restem dúvidas.
Uma outra habilidade, necessária ao bom relacionamento, é saber colocar as suas necessidades. As minhas necessidades fazem parte da minha identidade. Conhecendo os meus limites eu só passarei a exigir, aquilo que posso oferecer. Do mesmo modo, para contemplar as minhas necessidades não posso invadir o espaço que pertence aos outros. Afirmar-se, sem provocação, é se fazer respeitado.
Um relacionamento perdura somente quando dou e recebo feedback. O Feedback é uma avenida de mão dupla: funciona nos dois sentidos. Quando isso existe nós não ficamos gastando energia com pré-suposições, pois sabemos que quando houver um problema, seremos informados. Isto elimina a defensiva nos relacionamentos e dilui as resistências às novas idéias. Quando eu consigo influenciar os outros eu passo a ser mais valorizado.
Em algum momento, nos relacionamentos, advêm os conflitos. É habilidoso aquele consegue levar, a tempo, o objeto dos conflitos à discussão, fornecer os argumentos, negociar as diferenças, ceder quando for necessário e definir soluções criativas e fortalecedoras. Quando encontramos saídas para os conflitos, passamos a inspirar mais confiança nos outros.
Mas talvez a maior habilidade, em qualquer relacionamento, seja a flexibilidade. Por mais que cada um de nós tenha um estilo próprio, uma essência interior, uma maneira exclusiva e pessoal de agir, estaremos fadados ao fracasso, se não conhecermos a arte de ser flexíveis. A própria interpretação de fracasso é uma demonstração de flexibilidade: “não existe fracasso, apenas feedback”. Aceitar e vivenciar este pré-suposto, transforma toda ação em experiência, antes mesmo que se conheça o resultado dessa ação.
Existe ainda uma qualidade essencial para que os relacionamentos perdurem e que é manifestada quando nós aplaudimos o sucesso do outro. Apesar de estarmos o tempo todo afirmando que queremos o melhor para as pessoas que nos rodeiam, no fundo, nós achamos que quando o outro ganha nós perdemos. Temos dificuldade em perceber que a vitória do outro passa a ser a vitória de todos. Existe, desde os tempos mais remotos, uma espécie de complô para que tudo contribua para que haja um mundo melhor.
Tomemos um exemplo de fácil compreensão: a alimentação. O que comemos hoje é o resultado daquilo que a nossa espécie experimentou por milhões de anos! Imaginem quantos “acidentes” houveram em todo esse percurso! Vejam o caso do curry utilizado na cozinha indiana. O principal componente do curry é o cúrcuma (cerca de 30%). Ocorre que o cúrcuma é dificilmente absorvido pelo nosso organismo. Em algum momento da história do curry alguém teve a idéia de adicionar um pouco de pimenta do reino, que aumenta em até mil vezes a absorção do cúrcuma pelo organismo*. Resultado de uma descoberta que beneficiou toda a humanidade. O mundo fica muito melhor quando todos ganham.
Competir em uma Olimpíada é prejudicial à saúde. Esta frase, na qual acredito piamente, certamente irá chocar alguns. Felizmente tenho o grande cronista Rubem Alves para ajudar-me a defender este ponto de vista. No atletismo de ponta, como é o caso em uma Olimpíada, o atleta compete no limite de suas capacidades. O prazer não está mais no ato em si, mas no resultado ou na performance. Assim, como explica Rubem Alves, para as nadadoras, o maior prazer não está em nadar, mas em sair da água o mais rápido possível, em ser a primeira: está no cronômetro, portanto!
Por outro lado, na sociedade atual, onde é visto com mau gosto expor os seus infortúnios publicamente, existe uma espécie de pacto, de compromisso com a felicidade. Da felicidade como direito reivindicado e adquirido, passamos à felicidade como obrigação, como imperativo. Mas o que é então viver? Ou dito de outra forma: o que podemos esperar conseguir para que nossa vida seja a que nós queremos viver? Que vida queremos, de fato, para nós?
“Uma vida de sucesso, é um sonho de adolescente, realizado na idade adulta”(Vigny) . Por tratar-se de sonho da adolescência, é muito provável que tenha que, com a experiência de adulto, trazê-lo para mais próximo da realidade. Viver é antes de tudo cuidar das pequenas coisas. Certa vez uma senhora, ao retornar de uma consulta ao médico, reuniu a família e revelou a todos que sofria de uma doença incurável. Diante dos filhos e do marido, que choravam, ela descrevia calmamente o que ela iria fazer, nos poucos dias que lhe restavam. Em poucas palavras ela explicou como iria cuidar deles, como iria organizar a casa, como iriam ser as suas manhãs, com que olhar passaria a ver seus amigos, quais coisas seriam prioritárias na sua mente e no seu coração. Sua vida em seus últimos dias, segundo ela seria repleta de pequenas coisas, completamente diferente de tudo aquilo que vivera até aquele momento. Esta senhora viveu mais 23 anos!
Ninguém, por maior que tenha sido, viveu só de grandes e espetaculares ações. Mesmo os maiores, passaram a maior parte de seu tempo cuidando das pequenas coisas, ainda que fosse em preparação para o sucesso das grandes realizações. Antes de ser herói, santo ou ídolo, nós somos homens. Nossa primeira condição é de ser, humano, e o natural do ser humano é, antes de tudo, viver, viver fisiologicamente, viver emocionalmente e na maioria dos casos viver, também espiritualmente. Da harmonia entre esses 3 “viveres” é que resulta um bem-estar, que pode fazer dessa vida um sucesso.
Aqui uma revelação. Qualquer que seja a sua condição social: toda manhã é efetuado um depósito de R$86.400 em sua conta pessoal. No final do dia o que não é gasto, é perdido, o saldo é zerado. Uma espécie de loteria mágica! Não devemos nem justificativas e nem prestação de contas. Apenas uma condição:
esse depósito pode ser interrompido a qualquer momento. Na realidade estes R$86.400 são os segundos, que temos todos os dias, para fazer o que bem entendermos. Está no livro “E se fosse verdade...” de Marc Levy . Porque alguns, tão ou mais ocupados que nós, sempre “acham o tempo” para sonhar, repousar, enquanto outros estão sempre correndo para recuperar os grãos de areia que escorrem inexoravelmente nos marcadores de tempo?
"Se eu soubesse que essa seria a última vez que eu veria você dormir, eu aconchegaria você mais apertado e rogaria ao Senhor que a protegesse, que seria a ultima vez que a veria sair por aquela porta, eu a abraçaria e a beijaria e, de novo a chamaria de volta pra abraçar e beijar mais uma vez" (Texto deixado no mural da TAM, dias após o acidente no aeroporto de Congonhas).
Mas o ontem já ficou para trás, talvez o dia mais distante de nós. E o amanhã, bem, este pode nem mesmo vir a existir. Com certeza o hoje nos pertence, pelo menos por enquanto, então porque não fazermos tudo o que gostaríamos de fazer, um dia?
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*Atribui-se a esse tempero as baixas taxas de incidência de câncer na população indiana (cerca de 1/3) em comparação com a americana. (Os alimentos contra o câncer)
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