Clique aqui para ler a carta de Maio sobre o Estresse
Depressão não é tristeza. Depressão não é apenas doença do cérebro. Depressão é doença do cérebro e de todo o resto do corpo. A pessoa com depressão perde toda a energia, mental e física, inclusive para sentir prazer. Isto explica porque somente o medicamento não resolve. O tratamento da depressão é rápido, desde que haja uma combinação adequada das abordagens que atendam tanto o físico quanto o mental.
Mas o que de fato ocorre para fazer baixar o nível de energia? - Os neuro-transmissores, que são moléculas, não circulam como deveriam e com isto os neurônios, que são células, deixam de se comunicar adequadamente.
Tristeza, desânimo, insônia, apatia (às vezes agitação), falta de alegria, diminuição (às vezes aumento) de apetite, insônia (às vezes aumento de sono), falta de desejo sexual, falta de energia até para coisas simples como tomar banho, televisão ou ler um jornal.
Pensamentos pessimistas e repetitivos, não saem da cabeça. Perda de interesse por pessoas e atividades de que antes gostava. Parece que não consegue se concentrar numa leitura ou guardar na memória o que leu. Ataques de ansiedade com sudorese, palpitações e tremor, ataques de pânico. Pensamentos obsessivos: conferir portas e janelas, achar que poderia fazer mal a si mesmo ou a outras pessoas, etc. A mais simples tarefa se torna quase impossível, antes era fácil. Muitas coisas interessantes hoje não têm mais graça. Dores de cabeça ou no corpo, sem razão aparente.
Intestino preso, boca amarga, pele envelhecida, ressecada, olheiras, cabelos fracos e sem brilho, unhas quebradiças.
Desejo de dormir e nunca mais acordar.
A sensação da falta de sensações: não sente nem alegria e nem tristeza.
-Estou mal financeiramente e não tem como mudar,
-Culpa indevida pelo que fez e o que não fez,
-Se arrepende de coisas que fez no passado,
-Tem medo de adquirir uma doença incurável.
-Nos mais idosos, a perda da memória parece ser o sintoma mais grave,
-Em alguns casos o tempo mais fechado agrava os sintomas.
-Predisposição genética.
-Depressões anteriores.
-Personalidade perfeccionista, detalhista.
-Distimia.
-Situações difíceis, desgastantes, frustrantes.
-Perdas: de pessoa querida, de dinheiro, de posição profissional ou social, aposentadoria, etc.
-Gravidez, Parto e Menopausa.
-Síndrome do Pânico.
-Distúrbio Obsessivo Compulsivo.
-Estresse pós-traumático, depois de assalto, seqüestro, acidente, diagnóstico ou doença grave, etc.
-Psicose.
-Pílula anticoncepcional, implantes hormonais, DIUs hormonais.
-Uso de certos medicamentos,
-Fumo, drogas e álcool.
-Medicamentos e fórmulas para emagrecer,
-Apnéia obstrutiva do sono.
-Hiper e hipotireoidismo,
-Certas doenças graves, como Câncer, Insuficiência Cardíaca, Infarto, Ponte de Safena, -Diabetes, Anemia Perniciosa, Aids, Insuficiência Renal, etc.
-Traumatismos cranianos, Acidente Vascular Cerebral (AVC ou "derrame"),
-Alzheimer, Parkinson, tumores, etc.
-Dores crônicas, Fibromialgia.
-Radioterapia.
O tratamento incompleto da depressão pode fazer com que ela retorne sem que tenha havido uma causa externa.
Estatísticas mostram que as pessoas demoram, em média, 11 meses para procurar ajuda para o tratamento da depressão. E pior: o diagnóstico conclusivo raramente é dado na primeira consulta, pode levar mais algum tempo. É muito tempo e muito sofrimento, que poderia ser evitado. Uma ajuda externa, além de agilizar a procura pela medicação, com o profissional de saúde adequado, consegue fazer com que a adesão ao tratamento se torne muito mais efetiva e segura.
A personalidade, os problemas vividos, passados ou atuais, podem estar, tanto na origem, quanto no agravamento do estado de depressão, daí decorre que o tratamento mental, constitui uma garantia de que os sintomas dificilmente retornarão.
Depressão é uma doença grave, séria. Nem sempre os familiares dão a devida atenção, o que agrava ainda mais o estado geral do paciente. Em regra geral, a pessoa precisa estar muito mal, para chegar a tomar a iniciativa por ela própria e sair em busca de ajuda. Cabe aos familiares estarem atentos a este fato.
O tratamento pode ter que ser modificado, adaptado uma vez iniciado.
A atividade física pode e deve ser indicada logo no início do tratamento, uma vez que a liberação de endorfinas, melhora inúmeras funções do organismo como o intestino, a pressão arterial, etc.
A família precisa entender que a pessoa com depressão, ainda que não tenha que ficar presa a um leito, está doente e com isto algumas atividades ou decisões importantes precisam ser postergadas, haja vista que a pessoa deprimida está em seu estado, o mais pessimista.
A diminuição ou eliminação do uso de alguns estimulantes como álcool, cafeína etc. ajuda.
Depressão é uma doença que incomoda muito, tanto o paciente quanto a sua família. Assim, como na depressão a pessoa não consegue se imaginar bem, quando a depressão passa, a pessoa não consegue imaginar como era possível estar tão mal, há tão pouco tempo.
Antes, um pouquinho de história. Foi somente em 1974 que um pesquisador americano, Robert Ader, descobriu que “o sistema imunológico tem a capacidade de aprender”. Até então, apenas o cérebro e o sistema nervoso central podiam sofrer alterações resultantes da experiência. Penso que, se hoje existem voluntários atuando em hospitais, é em parte decorrente dessa descoberta! Uma descoberta que teve reflexos em uma quantidade enorme de áreas da atividade humana, como na qualidade de vida de todos nós. È que, se o que faço pode influir no meu sistema imunológico, significa que eu posso, de um certo modo, torná-lo mais eficiente, por exemplo.
Resumidamente como funciona isso? - As células imunológicas circulam pela corrente sangüínea ou seja por todo o corpo. Quando elas encontram células “amigas”, as deixam em paz, do contrário as destroem. Aí está para o seu uso, a nosso favor.
E quanto às emoções? – Mas o que são emoções, sentidas, contidas, vividas, senão experiências? É sabido que as emoções exercem um poderoso efeito sobre o sistema nervoso central autônomo, ele que regula a insulina, a pressão sangüínea, etc. As células imunológicas recebem mensagens diretamente dos nervos. Existem emoções perturbadoras que podem constituir fatores de risco para a doença cardíaca, tão tóxicas quanto o fumo ou o colesterol.
A depressão pertence ao chamado grupo dos três grandes (estados), junto com a raiva, ansiedade. A correlação entre raiva e crise cardíaca é conhecida da maioria. A ansiedade, que supostamente deveria ser apenas um aviso para nos prevenir de algum perigo, nos tempos modernos, tornou-se algo tão desproporcional e como afirma Daniel Goleman, “dirigida para o alvo errado”. Já para a depressão, além dos males que ela acarreta, existe um agravante: muitas das vezes, seus sintomas, como perda de apetite, letargia etc., são confundidos com os da doença diagnosticada e assim ela, a depressão, acaba não sendo tratada.
Estudos mostraram que a mortalidade de pessoas com doenças graves, quando deprimidas, é muito maior (o dobro) de que as que estão sem depressão. No outro oposto, laços afetivos, otimismo, podem influenciar de maneira direta a recuperação de pessoas acometidas de várias doenças, transplantados de medula óssea ou sob forte tensão emocional, como relatado em um congresso em Göteborg Suécia, citado por Goleman, em a Inteligência Emocional.
“Jamais irei conseguir. De qualquer maneira não vale a pena tentar. Eu sou feia. Eu não sou inteligente. Isso sempre acontece comigo. Eu não tenho energia, força, coragem, força de vontade, ambição suficiente. As pessoas não gostam de mim. Eu não tenho nenhum talento. Eu não mereço atenção. Eu estou doente...”
Repetir essas idéias, por si só, ajuda a fixar e tornar quase automáticos, esses pensamentos em nossa mente. E com isso mantemos a nossa mente deprimida. O esforço físico continuado, como correr, é uma das maneiras encontradas para interromper esta situação e até mesmo reverter esse processo. Ocorre que depois de um certo tempo de prática, algumas semanas, esse estado, chamado de “barato do corredor”, costuma criar uma saudável dependência do exercício. Continuando com a prática, se pode chegar ao chamado “estado de fluxo” ( estado de fluxo mihaly csikszentmihalyi), onde o esforço é sustentado de maneira harmoniosa e agradável.
No ano 2000, estudos conduzidos na Universidade de Duke, compararam os efeitos tanto da corrida quanto do Zolof, conhecido anti-depressivo. Quatro meses depois, os resultados eram semelhantes, mas um ano depois, 1/3 das pessoas tratadas com o medicamento tiveram recaídas, enquanto que 92% das que seguiram na prática da corrida, continuavam bem! Uma prova cabal dos benefícios do exercício físico na luta contra a depressão.
Em primeiro lugar o exercício físico provoca um efeito sobre as endorfinas, essas moléculas produzidas pelo cérebro, que se assemelha ao conseguido pela morfina e a pela heroína. Mas contrariamente a essas drogas, que com o tempo tornam os receptores cerebrais cada vez mais insensíveis e neste caso exigindo aumento da dose, as endorfinas produzidas com a prática do exercício físico, ao estimularem de maneira suave o mecanismo do prazer, tornam este mecanismo ainda mais sensível. Com a continuação da prática do exercício costumam ser incorporados outros “efeitos colaterais”, como os prazeres nas pequenas coisas: amizades, hobbies (culinária), jardinagem, animais de estimação, belezas da natureza, etc. Já no oposto está a depressão com sua falta de energia e “ausência de prazer” (Schreiber).
A relação endorfinas e sistema imunológico já é conhecida, do mesmo modo que a atuação das chamadas “células naturais assassinas” contra as infecções e células cancerígenas. Também é conhecida e, aceita, a relação entre exercício físico regular e variabilidade no ritmo cardíaco, que torna o sistema nervoso mais equilibrado e portanto mais eficiente no controle das alterações de humor, por exemplo, dosando e/ou monitorando melhor a ansiedade, a raiva, o pânico etc.
Existem experiências com um novo dispositivo, que, a exemplo dos equipamentos que contraem músculos nos aparelhos de musculação, provoca uma descarga elétrica cujos efeitos se assemelham aos do sistema parassimpático, já citado acima.
Nossa análise até aqui limitou-se a considerar os mecanismos que interferem na depressão, direta ou indiretamente. No centro de tudo isso está o fenômeno da dor, cujo universo é muito mais amplo e complexo, uma vez que diz respeito a todo o ser humano, físico e mental. Por séculos a fio o conceito de dor ficava concentrado na esfera moral e religiosa: uma espécie de punição merecida, uma herança do pecado original. Já a depressão foi considerada uma fonte de inspiração no movimento literário romantismo, no século XIX, quando foi inclusive utilizada pela primeira vez a palavra “depressão” por um médico francês.
Felizmente, nos dias atuais, a dor não é somente um sintoma de doença, mas uma doença e como tal deve ser curada, eliminada.
“O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente”
Fernado Pessoa
A primeira iniciativa foi de John Bonica que escreveu The Management of pain, obra que lançou os fundamentos para a abordagem e o tratamento da dor. Desde então, inúmeros institutos foram sendo criados no mundo, com o objetivo de melhor estudar o fenômeno da dor. Em 1997 foi a vez do Brasil, com a criação do Programa de Educação Continuada da Dor. Muito antes disso, no Rio de Janeiro, já havia sido criada a primeira Clínica da Dor, no Hospital das Clinicas da UFRJ. Reconhecida como doença, os tratamentos se multiplicam e os avanços na obtenção de resultados são cada vez mais satisfatórios. Além da medicação, as terapias cognitivo-comportamentais ajudam a trazer alento.
Inúmeros fatores contribuem para podermos pensar que em um futuro, não muito distante, todas as dores crônicas, a depressão entre elas, estarão senão eliminadas ou pelo menos significativamente reduzidas.
Teste - Inventário de depressão de BeckRealizar o teste baseando-se em seu estado psicológico nas últimas semanas ou mesmo meses. Não se aplica para estados depressivos passageiros como síndrome pré-menstrual na mulher ou quando se recebe uma má notícia. Podemos falar de depressão quando os sintomas duram há pelo menos 3 ou 4 semanas e ocorre todos os dias do contrário ele não se aplica. Tristeza ou estado depressivo ocasional ou situacional não podem ser avaliados por este teste. Alerta: trata-se apenas de um teste para ajudá-lo na busca por orientação adequada. O resultado não constitui um diagnóstico preciso.
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No final do texto favor colocar o link abaixo, com o título “Melancolia Brasileira”
http://www.cefetsp.br/edu/eso/comportamento/melancoliabrasileirascliar.html
• Renascer para uma vida melhor